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30/04/2006 10:28
4 - CONTINUANDO...
Depois de uns dois meses e dela já ter falado comigo com suas amigas, resolvi contar o que eu sentia desde que a conheci. Como não tinha coragem de falar resolvi lhe escrever e pedi para um colega entregar. Era primo do Daniel. Na carta disse que se quisesse falar comigo sobre este assunto que viesse sozinha. Num recreio a Paôla pediu licença para meus colegas e veio conversar. Perguntou porque eu tinha mandado aquela carta e eu lhe respondi. Sentia-me tenso e nervoso. Ela falou que diziam os outros que não ia dar certo isso e que eu não gostava dela não, era imaginação minha. Eu respondi que não era não. Por fim ela me disse que queria ser minha amiga, que me ajudava que quando precisasse. Sem saber o que falar eu respondi que tava bom então. Em casa naquela noite no banheiro eu chorei, mas baixo para meu pai e minha irmã não ouvirem. Minha mãe ainda não tinha chegado do trabalho. No dia seguinte eu decidi me conformar, mas lá estava no recreio, sempre sentado perto do lugar em que a minha paixão ficava com suas amigas. Aí uma delas chegou perto de mim e me disse: -Adial, a Paôla te ama. Eu perguntei quem tinha mandado dizer e ela disse que foi a própria. Minha felicidade havia voltado.
No entanto mesmo que gostasse de mim, aquela garota parecia ter receio de algo sério comigo. E eu não tinha coragem de tomar mais iniciativa. Algumas vezes lhe mandei outros recados escritos. Uma vez lembro que ela me pediu um caderno em que eu fazia uns desenhos para vê-lo. Depois do recreio uma menina da minha sala me entregou, dizendo que ela me mandou um beijo.
E logo após começou um dos maiores dramas de toda a minha vida. Um dia o meu amor me procurou, mas estava com a cara muito séria e eu fiquei com medo. Escondi-me dentro do banheiro masculino e por um descuido meu, acabou me vendo e veio me chamar do lado de fora. Eu rapidamente entrei numa daquelas divisões onde tem o vaso e fechei a porta. Ela gritou para eu largar de ser idiota e ficou me chamando. Um outro dia depois a Paôla me surpreendeu no recreio e disse para eu deixar de ser bôbo de ficar mandando cartinhas, porque não gostava de mim. Mas as suas amigas disseram que gostava sim.
Fiquei muito triste! Chorava bastante. Eu a via em todos os lugares: numa música, num filme emotivo, enfim: vivia obcecado pela Paôla! Mas não contava a meus pais com medo deles me censurarem, ainda mais por ela ser de outra religião. Eles eram evangélicos e são até hoje. Minha mãe queria que eu me casasse com uma mulher evangélica. Só que eu não me interessava pelas meninas da igreja, elas não faziam meu tipo. E as que faziam não se interessavam por mim. E mesmo que se interessassem, na minha cabeça só existia a minha querida Paôla. Quem é ou já foi apaixonado sabe muito bem o que digo.
Depois disso até lhe mandei uns recados pedindo desculpas e dizendo que eu não era uma má pessoa, nem o bobo que ela pensava que era. Um dia a Paôla me olhou bastante do corredor para dentro da sala em que eu estava. Mas nunca tive coragem de chegar nela. Eram dois sentimentos opostos dentro de mim: de um lado uma paixão muito intensa e de outro a minha terrível timidez. Alguns me julgavam dizendo que eu era bobo. Julgar precipitadamente. É o que até hoje fazem muitas pessoas. Só que eu não tinha culpa de ser tímido e ainda era meio criança.
Aquele ano foi terminando. Minha mãe quis me transferir para o Colégio Estadual do Paraná porque era um colégio bom. E como toda boa mãe, queria que seu filho tivesse futuro. Eu aceitei porque achava que a Paôla iria para lá também. Afinal era estudiosa e muita gente falava neste colégio. Era muito procurado.
enviada por DANCE BOY
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